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História política do Prêmio Jornalístico Vladimir Herzog de Anistia e Direitos Humanos
Ana Luisa Zaniboni Gomes
Curadora ? 38ª edição

A criação de um prêmio de imprensa com o objetivo de estimular jornalistas e artistas do traço a tratarem do tema da Anistia e dos Direitos Humanos foi uma das resoluções aprovadas no Congresso Brasileiro de Anistia realizado em Belo Horizonte, em 1978, articulado e promovido pelo CBA - Comitê Brasileiro de Anistia. Foi de Perseu Abramo, à época diretor do Sindicato dos Jornalistas Profissionais no Estado de São Paulo e representante da entidade no Congresso, a ideia de dar o nome de Vladimir Herzog ao prêmio que ali surgia.

Formou-se então uma comissão paulista para encaminhar, na prática, a decisão política do Congresso. Dela participaram Comitê Brasileiro de Anistia, Comissão Executiva Nacional dos Movimentos de Anistia, Federação Nacional dos Jornalistas, Sindicato dos Jornalistas Profissionais no Estado de São Paulo, Associação Brasileira de Imprensa/Seção São Paulo, Comissão de Direitos Humanos da Ordem dos Advogados do Brasil/Seção de São Paulo, Comissão Justiça e Paz da Arquidiocese de São Paulo e Família Herzog.

Já em sua primeira edição, em outubro de 1979, o Prêmio Vladimir Herzog estimulou a luta pela Democracia: ajudou a chegada da Anistia, em agosto deste mesmo ano, e a mobilização pelas eleições diretas para Presidente da República, que só ocorre 1989. Deste então, além de reverenciar a memória do jornalista Vladimir Herzog, preso pela ditadura civil-militar, torturado e morto em 25 de outubro de 1975 nas dependências do DOICodi, em São Paulo, o Prêmio reconhece o trabalho de jornalistas que colaboram na defesa e promoção da Democracia, da Cidadania e dos Direitos Humanos e Sociais.

Mas o Prêmio nasceu com cariz latino-americano. Sua vocação era denunciar os crimes da Operação Condor que, sabemos hoje, consistia no esquema de ajuda mútua entre as ditaduras presentes no Cone Sul.

Com o passar dos anos, em especial final dos 1990, as entidades integrantes da comissão original foram se desarticulando: o CBA foi extinto, a Igreja Católica se desinteressou pelos temas dos Direitos Humanos; a ABI perdeu representatividade em São Paulo; a categoria dos advogados optou por muscular suas representações corporativas; os movimentos sociais arrefeceram suas lutas e a família Herzog, por sua vez, acabou por se afastar da via dolorosa de, todo ano, ter de revisitar a prisão, a tortura e a morte do Vlado. Ficou apenas com o Sindicato dos Jornalistas de São Paulo, apoiado pela Fenaj, a responsabilidade de continuar essa jornada.

Em 2005, durante as comemorações dos 30 anos de morte do Vlado, alguns jornalistas amigos decidiram colaborar na revitalização do Prêmio. Isso, de fato, só vem acontecer anos mais tarde, quando a ONU comemora, no Brasil, os 60 anos da Declaração Universal dos Direitos Humanos e alia-se às comemorações de 30 anos do Prêmio Vladimir Herzog, em 2008, criando o Troféu Especial de Imprensa ONU e premiando os cinco jornalistas que mais se destacaram na cobertura dos Direitos Humanos no Brasil: Caco Barcelos, José Hamilton Ribeiro, Zuenir Ventura, Henfil e Ricardo Kotscho.

Desta eleição participam os cerca de 800 jornalistas vencedores do Prêmio Herzog nos seus 30 anos de existência ? ou seja, entre 1978 a 2008. A premiação foi a estatueta ?Vlado Vitorioso? ? uma criação do artista plástico Elifas Andreato, o mesmo que concebeu o troféu símbolo do Prêmio Vladimir Herzog. Dá-se, então, a oportunidade de se recuperar parte do acervo físico do Prêmio e a listagem dos ganhadores, desde a primeira edição, disponibilizando acesso público em site na internet.

Em 2009, a família Herzog, apoiada por um grupo de amigos, funda o Instituto Vladimir Herzog e, dessa forma, reassume assento na organização do Prêmio. Esse retorno de Clarice e Ivo aos assuntos ligados ao Prêmio estimula as demais entidades a fazerem o mesmo. A participação na Comissão Organizadora é ampliada como forma de dar voz a setores da sociedade que também podem contribuir com o aprimoramento do Jornalismo, em especial, dos Direitos Humanos e da Democracia.

Atualmente, integram a sua Comissão Organizadora doze instituições: Associação Brasileira de Jornalismo Investigativo ? ABRAJI; Centro de Informação das Nações Unidas no Brasil ? UNIC Rio; Comissão Justiça e Paz da Arquidiocese de São Paulo; Conectas Direitos Humanos; Escola de Comunicações e Artes da Universidade de São Paulo ? ECA/USP; Sociedade Brasileira dos Estudos Interdisciplinares da Comunicação ? Intercom; Conselho Federal da Ordem dos Advogados do Brasil ? OAB Nacional; Ordem dos Advogados do Brasil - Secção São Paulo; Ouvidoria da Polícia do Estado de São Paulo; Sindicato dos Jornalistas Profissionais no Estado de São Paulo, Federação Nacional dos Jornalistas ? FENAJ e Instituto Vladimir Herzog.

Em 2016, o Prêmio Vladimir Herzog comemora sua 38ª edição mantendo-se fiel ao propósito de reconhecer, homenagear e premiar, anualmente, jornalistas que, por meio de seu trabalho, contribuem para a promoção dos Direitos Humanos e da Democracia, e se destacam na defesa desses valores fundamentais.

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Prêmio Jornalístico Vladimir Herzog de Anistia e Direitos Humanos
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