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A morte de Vlado como marco da luta pela redemocratização

Vladimir Herzog tornou-se o símbolo da luta pela democracia, pela liberdade e pela justiça nos anos da ditadura militar no Brasil ao ser assassinado, sob tortura, no dia 25 de Outubro de 1975, nas dependências do Destacamento de Operações de Informações/ Centro de Operações de Defesa Interna, DOI/CODI, em São Paulo. Ele havia sido preso um dia antes para prestar esclarecimentos sobre suas ligações com o Partido Comunista Brasileiro.

Na versão oficial da época, Vlado, como era conhecido, teria se suicidado, enforcando-se com o cinto do macacão de presidiário. O Sindicato dos Jornalistas Profissionais no Estado de São Paulo, então presidido por Audálio Dantas, ao lado de vários segmentos da sociedade, imediatamente denunciaram a tortura e o assassinato de Vlado. Um Culto Ecumênico em memória do jornalista, realizado no dia 31 de outubro de 1975, na Catedral da Sé - dirigido pelo arcebispo católico D. Paulo Evaristo Arns, o rabino Henry Sobel e o reverendo evangélico Jayme Wright -, reuniu mais de oito mil pessoas. Foi a maior manifestação pública de repúdio ao autoritarismo desde o início da ditadura. Começava aí o processo que culminaria na redemocratização do País.

Em janeiro de 1976, o sindicato encaminhou à Justiça Militar o manifesto “Em nome da verdade”, subscrito por 1004 jornalistas. Era a primeira vez, naquele período de forte censura e repressão, que se ousava contestar publicamente a versão oficial de suicídio e reclamar a completa elucidação dos fatos. A repercussão nacional e internacional desse manifesto intensificou o processo de resistência à ditadura militar, abalando decisivamente a estabilidade do governo.

Foi apenas em 1978, porém, que se conseguiu que a Justiça responsabilizasse a União por prisão ilegal, tortura e morte do jornalista. Em 1996, a Comissão Especial dos Desaparecidos Políticos reconheceu que Herzog havia sido assassinado e decidiu conceder uma indenização para sua família.

“Não há dúvida de que foi a partir do choque causado por sua morte – com toda a indignação e revolta que espalhou – que a imprensa brasileira tomou coragem de avançar até o horizonte do possível”, afirma o jornalista Zuenir Ventura.

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Prêmio Jornalístico Vladimir Herzog de Anistia e Direitos Humanos
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